terça-feira, 17 de agosto de 2010

Morro!

 

Morro!
 
 
 
Cansada de esperas inúteis reencontro a vida, sentada a um canto sacudo o pó da mesa com a mão pálida. Vagueio insólita por ali e por aqui. Um sorriso triste inunda-me a face e choro com o riso quebrado no futuro, antes que a manhã nasça apago a luz da alma para respirar a repetição absurda dos gestos amados. A vida poderia acabar, se assim fosse não restariam os beijos dados à socapa nem o desejo de morrer agarrada a muito. Se a morte é a única certeza que temos porque havemos de viver?

Intoxicação?! Porque não? Respiro só mais um pouco antes de me ser diagnosticada a tristeza crónica. Distúrbios, queixumes, uma alma à toa de tudo, como os momentos desgraçados que passamos sem nos darmos conta.

Vidas! Pessoas! Solta-se o mundo ao avesso do que somos na minha pele, solta-se tudo antes que se acabe a voz dos gestos inacabados.

Tremo. Respiro devagar, pau-sa-da-men-te, reclamo, proclamo o nome do choro que sei que me acompanha e antes que a verdade me mate de uma vez por todas já nada me faz sentir viva.

[Susana Teixeira]

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