Escrevo em pequenos pedaços dos meus cadernos, das minhas folhas soltas, nos meus rascunhos…escrevo e risco…rescrevo…e apago…volto a escrever…e quando dou comigo julgo estar a ler a cena mais absurda.
Só consigo pensar, não consigo rabiscar o meu pensamento no papel.
Pior…não sei, porque penso no que penso. E se o que eu penso ou em quem eu penso, pensa no que penso. Ai….
E no enlace de pensamentos meios confusos, tento dispersar e procurar um foco de abrigo, algo que prenda a minha atenção num intervalo mais prolongado que todo o resto.
Quando encontro esse abrigo, resguardo-me de tudo…esqueço o meu presente que tanto me custa a creditar que poderá ser verdade…recorro há nostalgia do passado… O meu presente identifica-se com o meu passado. Estranho saber que após dois anos apareceu algo com a capacidade de superar o que até agora se mantinha bem firme. Como posso eu não pensar nesta leveza, nesta esperança, neste bem-estar. Quem será que me faz sentir algo que há muito estaria adormecido… Seja o que for, não faz sentido. Eu própria não quero que faça.
Talvez seja melhor aprender a controlar, ou guardar na gaveta hipóteses remotas. Afastar-me. Esquecer-me. Evitar.
Sonho…mas é apenas isso. Sendo assim... deixa-me sonhar....
[Susana Teixeira]

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