terça-feira, 17 de agosto de 2010

A queda de um anjo. Ou uma historia de encantar?

 
A queda de um anjo. Ou uma historia de encantar?
Outrora encontrei um anjo que me salvou e me deu a mão. Um anjo belo, meigo o ser mais inacreditável de todos. Esse anjo tem nome, e decerto que ao ler isto se recordara de tudo o que direi, da nossa história, dos nossos momentos…
Como tudo eu confiei nesse anjo, entreguei o meu corpo a minha alma e ele guardou numa caixinha. Durante muito tempo esse anjo esteve comigo, sorriu comigo, partilhou uma vida que só os anjos podem partilhar.
Tornámo-nos numa só alma, num só coração, numa só voz, num só olhar, num só abraço, num só ser. Pensei que seria feliz para sempre porque finalmente o meu anjo da guarda tinha chegado.
Num dia mau da minha vida, corri para a morte numa tentativa de que ele me salvasse, ele não me salvou, perdeu as forças, e alguém lá de cima mandou outro anjo por ele…quando regressei ao meu presente, deparei que o meu anjo tinha as assas partidas, o coração a escorrer lágrimas e que tinha um brilho no olhar. Um brilho que mostrava o quanto ele me amava.
A partir desse dia, prometi-me a mim mesma nunca mais correr atrás da morte porque a minha vida estava no meu anjo. Decidi então cuidar dele para sempre, dediquei-me e tentei dar o melhor de mim, mas como não sou nenhum anjo, não consegui alcançar o que desejaria. Perdi o controlo, e o meu anjo desapareceu aos poucos.
Um dia numa tormenta solidão voltei atrás a promessa que fiz, corri atrás da morte, pois já nada a meu redor fazia sentido, fechei os olhos, fiz força e pedi a tudo o que existe que me levasse, que me arrancasse o coração, me prendesse a respiração, e desse oportunidade a um novo ser. A um ser que merecesse este lugar, um ser que não eu.
Ninguém respondeu ao meu pedido…quando olhei para o céu vi aquele que teria sido o meu anjo a sobrevoar as nuvens, voando lentamente. Abandonando-me por completo.
A minha alma morrera.
Eu sabia que não voltaria a viver, e eu cheguei mesmo a morrer sem ninguém ver. Apenas eu senti a minha morte lenta e fraca que se apoderou de mim. Uma morte cruel e vagarosa que me sufocava aos poucos. Ninguém me deu a mão, ninguém me viu, ninguém foi capaz de me ver.
Eu estava realmente morta, num lugar desconhecido, num planeta distante. Nesse planeta habitavam borboletas, fracas, tristes, escuras, tudo era escuro….
As árvores não tinham vida, os animais rastejavam e eu era o único ser humano naquele planeta desabitado. Até que descobri que todos aqueles animais doentes, cansados e mortos como eu, falavam entre si, e tinham todos uma história semelhante. Todos eles estavam ali pelo mesmo motivo. Estavam mortos….
Decidi rastejar lentamente durante dias, semanas meses… e o que sentia era apenas um ser leve, sem sentimentos. Continha apenas olhos e pequenos músculos que me ajudavam a rastejar durante a longa caminhada. E para que caminhei eu?
Passado uma semana da minha caminhada encontrei uma borboleta diferente de todas as que vira, pois com ela trazia luz umas espécie de Sol naquele planeta desabitado.
Caída nu chão e sem forças para continuar, perguntei:
- “O que fazes tu borboleta num planeta tão diferente daquilo que tu és?”
Ao que ela respondeu…
- “ Eu sou o Sol deste planeta, e partilho contigo o mesmo passado, sou a luz que te pode ajudar ao longo de toda a tua caminhada.”
Olhei espantada e chorei, como poderia aquela pobre borboleta ter luz se carregava um passado pesado como o meu?
A verdade é que continuei a caminhada rastejando, sangrando, e ela sobrevoava todo o meu caminho, dava-me luz, conforto, amizade…tudo o que só existia quando eu era viva…
Continuei a caminhada e passado 2 semanas encontramos um coelhinho, alegre, aos saltos, sempre sorridente, que cantava, pulava. Mas que mundo era aquele, em que no meio de tantos mortos eu encontrara um Sol e um coelho tão alegre…
Perguntei:
-“Que fazes um coelho como tu tão alegre neste meu mundo tão morto?”
Ao que ele responde:
- “Para te acompanhar na tua caminhada para sempre”
E o coelho seguiu comigo, junto com a borboleta. Caminhamos noites, dias, bons e maus, atravessamos tempestades, calores, viram comigo e junto de mim aquilo que ninguém mais conseguia ver.
E o meu anjo? Onde estaria o meu anjo que nunca mais regressou? Que me deixou num planeta escuro e cruel? O anjo viajou? Morreu? Ou apenas me abandonou e se esqueceu de mim?
Um mês eu caminhei com 2 almas a meu lado, mas ao longo do tempo mais almas encontramos juntando-se a mim….todos com o mesmo objectivo ajudarem-se uns aos outros.
O nosso objectivo era chegar a outra margem, procurando assim uma salvação possível de regressar há outra margem na tentativa de cada um seguir seu rumo num planeta com vida.
Ao chegar há outra margem, a borboleta voou prometendo dar noticias todos os dias da sua vida, o coelho sorrio e correu caminho fora, juntando-se mim nos bons e maus momentos, para rir ou chorar.
E eu sentei-me…há espera do meu anjo que nunca mais dera noticias. Esperei dias afim…
E já a beira da última gota de sangue que me restava aparece uma alma como a minha que estava ferida, desabitada, um rapaz, fraco, triste, sem rumo, não tão franco quanto eu. Mas a caminhar para o abismo. Foi então ai, que este se senta a meu lado, sozinhos desabafamos e choramos uma mágoa em comum. O meu anjo também lhe pertencera por instantes ou momentos indefinidos, mal revelados e trágicos. O nosso anjo traiu as nossas almas e feriu nossos corações.
 
Resta dizer…que sentados na mesma margem ao longo de vários dias de sofrimento, de varias semanas sem rumo, lado a lado…nos decidimos…que sem forças para caminhar, que uniríamos as nossas almas numa tentativa de salvação. De encontrarmos a saída dum mundo escuro ao qual não pertencíamos…apenas fomos mortos algum tempo.
Erguemos armas, juntos de mãos dadas caminhamos até a saída daquele mundo que não nos pertencera nunca…Seguimos cada um o seu destino lado a lado…
Hoje estamos juntos graças á queda de um anjo ou a uma história de encantar? Não sei responder apenas podemos dizer que voltamos a viver.
E eu posso acabar a história dizendo que também guardei tudo numa caixinha para aquele que fora o meu anjo. Ate um dia que as nossas almas se voltem a cruzar.
Vivemos felizes eu sei, porque te amo, se seremos felizes e se acabara como nas historias de fantasia….não sei…caminharemos juntos lado a lado para ver……..

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